Monday, April 17, 2006

Valkíria, a Rainha dos Vampiros:

Episódio I
Autor: Alexander King ( alexander.king@yahoo.com.br )
Era madrugada, e no centro do azul celeste, a formosa Lua Cheia, exibia seus encantos, para aquelas raras pessoas que costumavam passar a noite em claro.
Em um castelo medieval, que fica em uma parte da Terra, que os exploradores ainda não descobriram, e que este narrador, só pode afirmar, que fica em algum lugar do inefável continente Europeu, em um de seus inúmeros quartos, onde a magia estava no ar, numa cama em formato oval, dormia uma encantadora jovem, de cabelos curtos, ruivos, de um corpo estonteante, branco como a neve. Estava completamente nua, deitada de bruços, com o rosto aparentando sorrir, parecia estar em paz, havia feito algo que lhe causou muita satisfação.
Esta jovem era Alice, e há poucos minutos atrás, tinha exercitado um lado de sua mente, encoberto e reprimido, por uma sociedade, de tabus e preconceitos, tinha feito amor como nunca havia feito, cheio de paixão, loucura, êxtase, tinha sido, o que sua alma, há muitos anos lhe declarara ela ser, mas, que tinha pavor de exercer, tanto pelas doutrinas mirabolantes que sua família protestante lhe pregava, tanto pela sociedade que a condenaria, para sempre. Havia feito amor, pela primeira vez, com uma pessoa do mesmo sexo que ela.
E a sua primeira transa, não foi com qualquer uma, como acontece com a maioria das pessoas, fora nada mais, nada menos do que com, a mais formosa, sinistra e tenebrosa das criaturas, a condessa Valquíria. Alice não se lembrava de muita coisa, apenas que estava em uma casa noturna, que ficava em sua cidade, e que de repente, veio até ela, àquela personagem, que emanava de seu sorriso, um delicioso e contagiante ar de mistério. Elas começaram a conversar, e depois de alguns minutos, mesmo parecendo isso impossível, se tornaram intimas. Também se lembrava que, Valquíria chegou até ela e cochichou em seu ouvido:
- Já transou com outra garota?
Alice ficou louca da vida, que atrevimento, pensou ela, respondeu que nunca, mas que tinha vontade de experimentar algum dia, mas tinha medo. Valquíria, falou, falou e falou em seus ouvidos e acabou convencendo-a de pelo menos experimentar para ver se gostava.
Lembrou-se ainda que, Valquíria a levou para um lugar reservado da casa noturna, abraçou-a forte, e mandou que fecha-se os olhos, feito isso, quando ela abriu novamente depois de apenas alguns segundos, percebeu que já não estava mais, na casa noturna, e sim no quarto da condessa, que ficava naquele castelo.
Alice ficou apavorada, escapou do abraço de Valquíria, e começou a gritar feito uma louca.
- Não adianta gritar, menina, este castelo fica em um local isolado do mundo, ninguém jamais veio até aqui, apenas as pessoas que aqui moram comigo, e que saem apenas com minha permissão. – Disse Valquíria sorrindo.
- O que você vai fazer comigo? – Pergunta Alice, apavorada.
- Ora – Responde Valquíria – O que viemos fazer aqui? Aquilo que eu perguntei se você queria fazer, e você respondeu positivamente, somente isso.
Alice fica um pouco mais aliviada, mas mesmo assim ainda esta assustada devido ao acontecido.
- Como você fez aquilo? – Pergunta Alice – O que você é?
- Logo mais, você ira descobrir, meu anjo. – Responde Valquíria, empurrando Alice, que cai na cama, e com seus braços fortes, rasga toda a sua roupa, tanto sua blusinha, como a sua mini-saia, não usava sutiã, nem mesmo calcinha.
Valquíria despe suas roupas, e vai em cima de Alice, se atracando com ela, em altos beijos e amassos. Passa a língua lentamente em cada centímetro de seu corpo, a fazendo gemer de prazer.
- Ai, como é bom, se soubesse que era tão bom, havia experimentado antes. – Disse Alice, excitadíssima pelas caricias de Valquíria.
- Esta gostando, meu anjo? - Pergunta Valquíria – Calma que o melhor ainda esta por vir.
Valquíria deita sobre o corpo extasiado de Alice, e chega até o pescoço dela, chupando-o fortemente. Estava amando isso, a enlouquecia, muito bom, mas, de repente, aquele prazer intenso é interrompido por algo inesperado. Valquíria crava seus caninos afiados, no delicado pescoço dela.
- Ai! – Grita Alice – Isso machuca, para!
Valquíria não dá ouvidos a sua companheira de cama, e depois de enrolar um pouco, crava de vez seus caninos no pescoço dela, fazendo-a gritar, de dor, e ao mesmo tempo, de pavor, pois acabou vindo em sua mente à lembrança de uma lenda que era transmitida a seu povo desde épocas memoriáveis, mas que ninguém mais acreditava, a lenda dos Vampiros.Sente que seu sangue pouco a pouco vai escapando de seu corpo, pelos dois buracos criados pelos caninos de Valquíria, e que sua cruel algoz delicia-se com isso. Estava com fome, e ela, era o seu jantar de hoje.
Tenta se debater e gritar mais um pouco, mas percebe que nestes instantes, já havia perdido a força e a fala. Contempla-se vitima, por mais alguns segundos e acabou por desmaiar.
Episódio II
Agora ela havia acordado, e correndo os olhos pelo quarto, percebe que sua anfitriã não estava mais presente, era sua deixa para fugir daquele lugar sinistro, se é que isso era possível. Pula da cama e corre até a porta, com muita dificuldade, a abre, pois parecia estar emperrada. Esta agora num grande corredor, muito escuro não dava para ver quase nada, somente percebia que haviam algumas tochas apagadas no alto das paredes, e algumas portas.
Tentou abrir algumas delas, mas percebeu, por fim, que estavam todas trancadas. O que haveria, afinal, por de trás daquelas portas. Ela fica pensativa por alguns instantes, mas percebe que, no final daquele grande corredor, havia uma luz. Poderia ser a saída. Ela corre, não tão apressadamente, afinal, ainda estava fraca devido ao ataque de Valquíria. De repente chegando ao meio do corredor às tochas, que a pouco estavam apagadas, resolvem se acender sozinhas, revelando algo sinistro a pobre moça. As paredes daquele corredor estava todas bem decoradas, enfeitadas, mas não por belos quadros, e sim, por muitos, e muitos, esqueletos humanos.
- Não! Grita Alice, que sai correndo apavorada, tem a impressão que a porta por onde ela saiu havia feito barulho.
Ela corre e chega até o final do corredor, era realmente uma porta, que dava para um misterioso jardim, muito grande, cheio de arvores, flores, e um grande lago, em seu centro. Ela percorre o jardim, em busca de uma saída daquele lugar tenebroso, mas não encontra nada.
Depois de alguns minutos andando por lá, percebe que aquele grande lago, de certa forma, aparenta estar a chamando.
Ela se aproxima do lago, e se curva, contemplando suas águas escuras, devido à noite, iluminada apenas pela Lua Cheia.
Ela o contempla por alguns segundos, mas de repente algo acontece, alguns morcegos a atacam, grunhindo e indo para cima dela, tocando suas asas, que causavam arrepios, em seu corpo nu.
Assustada, tenta afasta-los com as duas mãos, mas desnorteada acaba por cair no lago.
Os morcegos desaparecem. Depois de poucos segundos naquele lago, acaba sem querer, provando de algumas gotas, daquela água, que para seu terror não era água, e sim, sangue humano. Ela se apavora e grita, se prepara para sair daquele maldito lago, mas logo a sua frente, alguns segundos dela, contempla três homens, ambos de cabelos longos e negros, e da pele muito branca, assim como a neve.
Eles a avistam e um deles diz:
- Olhem! A novata!
Ao perceber que eles iam a pegar novamente, ela dá meia volta e começar a nadar rapidamente até a outra margem do lago na esperança de escapar deles, mas qual não foi sua surpresa ao perceber que seus perseguidores, se transformaram em grandes cães negros e vão correndo até o lago, mergulhando e nadando até ela.
Reúne forças não sei de onde e consegue chegar até a outra margem, num lugar que era cheio de arvores, se esconde no meio delas.
Os cães, a procuram por toda a parte, mas sem êxito nos primeiros minutos. De repente enquanto estavam a procurar, percebem que em uma parte do jardim, perto de onde Alice estava, uma luz, se acende e começa a aumentar até chegar ao tamanho de uma porta, de formato oval.
Desta misteriosa porta de luz, surge uma bela mulher, com seus longos cabelos negros e lisos, que desciam até sua cintura, com a pele branca como a neve, e o corpo esguio como de um gato, estava toda nua, exibindo seus enormes seios, e seu corpo escultural, era ninguém menos do que a condessa Valquíria, que trazia mais uma de suas vitimas, para seu castelo, desta vez, um belo jovem, trajando apenas suas roupas de baixo, estava desmaiado, e foi jogado no chão do jardim.
- Trouxe comida para vocês, meus amiguinhos. –Diz Valquíria sorrindo.
Os cães percebem suas donas, e voltam novamente à forma humana.
De repente algo acontece, enquanto todos estava com a atenção voltada ao rapaz que jazia desmaiado no chão, Alice aproveita a oportunidade e entra pelo portal aberto por Valquíria. Eles percebem quando ela atravessa e um deles grita:
- Olhem! Ela esta escapando!
Correm até o portal que estava quase fechando, mas Valquíria os impede de prosseguir na captura da moça.
- Não se preocupem, ela ira voltar, eu garanto que vai.
Episódio III
Alice atravessou o portal, e foi parar em uma rua solitária, da cidade onde morava, estava deserta, pois ainda era de madrugada, só havia a sua presença, a presença de uma pobre jovem, com sangue espalhado por todo o corpo, cambaleando, semimorta, quase disposta a desabar no chão, mas ainda restava alguma força, em seu corpo e alma que a ajudava a prosseguir, afinal o pior já havia passado, havia milagrosamente escapada das garras de Valquíria.
Ela dá mais alguns passos, pela rua solitária, e de repente, um milagre, alguém grita para ela:
- Moça! O que é isso?
Era um policial, que cumpria sua guarda naquela rua, vai ao seu socorro, e se surpreende quando percebe que a garota estava completamente nua, e mais ainda, pelo fato, de estar com sangue espalhado por todo o corpo.
- Deus do Céu! O que fizeram com você, moça.
Ela tenta sussurrar algumas palavras, mas já não tinha mais forças para isso, desmaia, e o policial a pega nos braços.
- Droga! É só na minha guarda que acontece este tipo de coisas, aposto que o 007 e o Sherlock Holmes jamais tiveram que passar por este tipo de situação.
Ele a leva até a viatura e a põe dentro, deitada no banco de trás.
- Vou levá-la até o hospital, se for esperar pela ambulância, quando chegar ela já vai estar morta.
Ele entra na viatura e dirigi em alta velocidade, pois o hospital mais próximo daquele lugar ficava muito longe.
Depois de alguns minutos, Alice desperta, e o guarda percebe isto.
- Que bom, moça! – Diz ele – Percebo que não esta tão ruim assim, não se preocupe, logo estará nas mãos dos médicos, vou te levar até um ótimo hospital.
Alice ouve, as palavras do guarda e se tranqüiliza, havia acabado.
Mas de repente algo estranho começa a acontecer com ela.
Sua força física aparenta ter voltado, e seu corpo não mais estava fraco, ela olha ao redor pelas janelas da viatura, e percebe que sua maneira de ver o mundo, havia mudado. Seu estomago, somente ele doía, era como se algo a cutuca-se por dentro, indicando uma grande fome, sua garganta estava seca, muito seca.
Ela olha para o guarda, o seu salvador, e começa a sentir uma breve atração por ele, mesmo sem entender nada. Foi quando que, num impulso, Alice pula sobre o guarda, e o faz perder a direção da viatura. Não era ela, havia apagado, e logo após seus lindos olhos azuis, se tornarem brancos, alguém ou algo, se apossou de sua mente.
- Mas que droga! – Grita ele – Você bebeu por acaso, aposto que esta drogada!
De repente a viatura bate em uma arvore e o guarda voa em direção do vidro, desmaiando, mas ainda vivo.
Alice pula em seu pescoço e o morde, sugando seu sangue, faminta.
Ela bebe, talvez, cada gota de sangue, que havia no corpo daquele homem, e com os lábios cheios de sangue sai da viatura, caminhando nua pela rua.
De repente o portal por qual ela havia passado, aparece e ela o adentra.
Ela atravessa o jardim, do castelo, sendo saudada por aqueles vampiros que a perseguiram, sabiam o que havia acontecido, ela era agora mais um deles.
Atravessa o jardim e passa pelos corredores, percebe que dos esqueletos que havia naquele lugar, brotavam de suas faces, algo como lagrimas de sangue, eram as vitimas de Valquíria. Entra no quarto dela, e a vê, tendo relações amorosas como um homem, era aquele rapaz que havia sido trazido algumas horas atrás, quando Alice havia escapado. Alice pega uma estaca de madeira, e finca no pobre homem, que já havia se tornado um vampiro.
- Que pena! Estava começando a gostar dele! – Diz Valquíria, em tom sarcástico
– Mas não faz mal, amanhã eu arranjo outro. O bom mesmo é que como previ, minha filha amada, voltou, ao lugar que realmente foi construído para ser o seu refugio, os meus seios.
Valquíria dá um sorriso malicioso para Alice, a nova vampira do castelo, e sua mais nova companheira de caçada.
Alice sobe na cama e se deita sobre o corpo de Valquíria, abraçando-a, e da face de cada uma delas, percebe-se um ar de intensa felicidade e paz. Valquíria finalmente havia conquistado, e iria manter agora, para sempre ao seu lado, alguém que conheceu, e que se enamorou de verdade, não um amor frívolo, como dos mortais, mas um amor eterno, como de uma mãe para com suas crias. E Alice, havia finalmente encontrado o seu lar, o lugar que havia sido construído a ela, desde a sua infância, e começaria agora a vida que sempre sonhou.
O leitor discorda, acha que não? Talvez ela não. Mas com certeza, o seu lado obscuro e sinistro, que permanecia trancado a sete chaves, por aquela sociedade conservadora que a criou, com certeza sim.